terça-feira, 5 de março de 2013

Alguém que eu não deveria me lembrar.


       Algo me perturbava durante a noite, não conseguia dormir, os pensamentos e as lembranças insistiam em me atormentar. Me assombravam noite após noite. Algo me dizia que eu deveria encará-las logo, me livrar de uma vez por todas delas, mas eu sempre fugia do que eu sentia. Era especialista nisso.
     Acordei bem cedo, porque como sempre, a rotina chata da semana me obrigava, mesmo em um domingo. Tomei café, escovei os dentes e me olhei no espelho e vi o reflexo de uma garota que por alguma razão, não se importava mais. Ou pelo menos queria que todos acreditassem nisso. Me arrumei e depois saí, sem um rumo específico, pra enfrentar o mundo lá fora que a cada dia ficava mais difícil. Estava chovendo, mas eu só queria sair daquele apartamento vazio. Entrei no carro e coloquei aquele CD antigo do Kid Abelha que o alguém que eu não deveria me lembrar me deu de presente. Merda, lá estava eu pensando nele de novo. Coloquei aquela música "Como eu quero" que me fez lembrar de um momento. Momento meu. O vidro da janela estava embaçado. Mas minha mente não estava embaçada, eu lembrava nitidamente de nós dois naquele final de verão. Me rendi, decidi lembrar de cada detalhe que passamos juntos. Antes tarde do que nunca. Lembrei de quando fomos no fim daquela tarde de sábado, na praia do Arpoador. Ficamos naquela pedra fazendo planos que nunca se concretizariam, promessas que nós dois nunca chegaríamos a cumprir. Lembrei de quando você me irritava de propósito só pra pra eu ficar com aquela cara emburrada que só você adorava e quando logo em seguida me dava um beijo de desculpas. Me lembrei de quando você me abraçava quando eu dizia que não queria mais assistir aquele filme de terror idiota. Ou de quando eu te venci naquele jogo do video-game e não deixei você esquecer nem por um segundo. Não esqueci nem daquelas nossas discussões bobas sobre futebol. Eu lembro de tudo, de cada palavra dita. De cada sorriso e lágrima, de cada alegria e dor, foi eterno enquanto durou. Me lembrei de quando você me beijou intensamente na chuva, pois eu havia te dito que nunca tinha beijado alguém na chuva como as garotas do filme. Me lembrei do nosso adeus, do nosso último beijo. As lágrimas vieram aos meus olhos, mas eu não as deixei cair. Pois eu percebi que tudo que passamos foi motivo de alegria e não de tristeza. É claro que tivemos dias difíceis, quem nunca teve? Mas depois de um dia nublado, sempre haverá um Sol radiante no céu. 


      Obrigada pela experiência e bom relacionamento que tivemos. Dizem que ás vezes coisas boas devem acabar pra que coisas melhores possam vir. Nosso rompimento não foi dramático como a maioria é, foi torturante sim, afinal, ambos não queriam dizer adeus. Evitávamos ao máximo por isso, mas chegou uma hora que não dava mais pra fugir. Foi o famoso "duas pessoas certas, momento errado."    
     Não tenho notícias suas já faz algum tempo, falam que ex bom é ex morto. Mas eu não quero você morto pra mim. Também não quero mais falar com você e nem ser sua amiga. Porque seria impossível não se apaixonar por você de novo.       
      Eu ainda guardo muitas lembranças suas, e eu sei que não deveria pensar nelas, mas não consigo evitar. Acho que a única coisa que restou de mim na sua vida deve ser aquela sua blusa rasgada, que eu rasguei em um momento íntimo. Ás vezes eu me pego pensando em como as coisas estariam se um pequeno detalhe tivesse sido modificado. Mas não mudaria nada, só assim pra eu aprender a fazer o certo da próxima vez.         Meu erro era só de lembrar dos nossos momentos bons. Teve mais coisas boas do que ruins e inevitavelmente as ruins se conectavam com as boas. Espero de verdade que você esteja bem, que esteja feliz e que um dia ache alguém melhor do que eu fui pra você. 

Só que a partir de agora, tentarei me lembrar só dos momentos ruins, pois assim ficará mais fácil te esquecer, até o dia em que não reste mais nada.

Ela caiu, mas levantou muito mais forte.

 
   Ela rastejava por ele e era constantemente chutada, pisada. Ela vivia correndo atrás e ele sempre fugia. Se esquivava sempre que ela ia em sua direção. Como um ladrão fugindo de um policial. Dizia pra todos: "Ela é louca por mim, sempre estará lá por mim mesmo que eu não esteja". Foi definitivamente a gota d'água pra ela. Humilhada, decepcionada e com o coração partido. Ele a desprezava. Ele era do tipo que gostava das que não gostavam dele, das que não precisavam dele. No pensamento de um homem, as fáceis sempre estarão a qualquer momento em que eles queiram. Na palma da mão. Foi difícil pra ela se levantar. Se reerguer. Ninguém acreditava que ela pudesse se tornar uma pessoa forte algum dia, era motivo de risada entre todos. E quando se levantou, estava toda machucada. As feridas doíam e demoravam muito pra cicatrizar. Horrível gostar de alguém que não dá a mínima, não é? 



Mas o tempo passou, a dor cicatrizou. A menininha cresceu e se tornou mulher. Há uns 2 anos atrás eles se esbarraram por aí. Ele pediu o número do celular dela e ela passou. O número errado. Ontem ele ria dela, hoje é ela quem ri dele. Ela soube por um um conhecido que ele ainda morava com os pais, estava desempregado. Sexo? Só se pagasse. 

É garotão, você teve sua chance enquanto teve, e a desperdiçou. Ela não dá duas chances. Game over.